Argumentamos quando queremos convencer, influenciar, nos defender, acusar.
Mesmo nos momentos em que não estamos em situação sociocomunicativa, quando estamos apenas pensando, planejando, divagando, a argumentação se faz presente, pois são nestas horas que ensaiamos falas, resolvemos problemas pessoais e coletivos, levantamos hipóteses, fazemos planos, sonhamos, e, todos estes casos trazem as marcas dos nossos pontos de vista, dos nossos interesses. Pesamos os prós e contras, decidimos, agimos de acordo com nossos benefícios e valores. Pura argumentação, mesmo que inconsciente.
Os jovens que no último dia 20/08, alunos da professora Rita Arruda,estiveram na oficina Gestar interpretando brilhantemente a obra "O que eu faço da vida", desenvolveram sua argumentação através da expressão teatral, pois, dentre as inúmeras obras sugeridas pela professora para leitura, inclusive os clássicos da nossa literatura, eles optaram por uma específica que entenderam representar a "sua linguagem". Mesmo sem ter consciência do fenômeno ou tendo,eles argumentaram:" Esta é a obra que fala a nossa Língua, que nos identifica e deixa a nossa mensagem." Defenderam suas idéias, suas posturas, suas visões de mundo.Argumentação!
As alunas da professora Elizete que desenvolveram uma bela apresentação com uso de manuais de instrução e criaram uma relação entre o novo e o velho, a partir da linguagem usada, muito adequada à situação sociocomunicativa que pretendiam representar, do vestuário, como dizem os mais jovens, "muito estiloso", da postura assumida diante de um grupo de professores, e pior, professores de Língua Portuguesa, recorreram aos mais diversos tipos de argumentos na busca do convencimento de um grupo tão exigente:argumentos por autoridade, argumentos baseados no consenso, argumentos baseados em provas concretas, argumentos com base no raciocínio lógico, argumentos com olhar apelativo... FABULOSO!
As discussões ocorridas nas oficinas Gestar, todas transbordam argumentação.
As conversas das vizinhas contando o capítulo da novela, sempre há uma tendência em defender a mocinha injustiçada e condenar a vilã, usando para tal os mais inusitados tipos de argumentação.
É, realmente a arte de argumentar pode ser considerada uma arte popular. Há, é claro, quem se especialize em "verbalização argumentacional"(bonito isso!), mas até mesmo aqueles que não gostam de praticar muito esforço físico e mental, gastam horas pensando em como justificar sua falta de vontade e, com falsa pertinência, convencer. ARGUMENTAM, E COMO ARGUMENTAM!
Existe uma situação sociocomunicativa mais argumentativa que uma declaração de amor? Quando alguém diz "te amo", recorre a um processo altamente argumentativo, uma vez que objetiva convencer, persuadir, influenciar, emudecer, inconscienciar...desestruturar, e, quem sabe, se beneficiar.
Argumentamos mesmo quando pensamos não argumentar.